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terça-feira, 17 de julho de 2012

Tempo



O tempo...
Por vezes impiedoso...
Por vezes caridoso...
Tempo que chega e que vai embora,
Sem pedir licença e sem aviso prévio,
Leva e traz
Resignifica e transforma...
Tempo que chega e que vai embora,
Traz experiências e leva a aurora...
Há tempo corremos contra o tempo
E há tempo de deixarmos o tempo passar...
Tempo... Senhor das respostas e dos mistérios,
Por quanto tenho que lhe esperar?
Por quanto tento lhe passar a perna?
E até onde posso chegar...
Ganhar mais tempo...
Esse tempo presente,
Que se faz ausente na tentativa de o agarrar!


São Gonçalo, 18 de julho de 2012.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ser Errante



Caminho como errante
Tentando capturar um instante...
E cada vez que sigo um passo a frente
Fico mais distante...
Crio conexões para defender
Meu sistema lógico de viver...
Entre o que me faz preciso
E o que me faz querer...
São tantas lutas
Que tento não me perder...
Tento capturar o instante...
O que me define
E o que me sustenta
Como ser pensante
Compensar o que me foi tirado
E aprender o que ainda não tenho acesso.
E o tempo é curto
E o tempo não tem ponteiros...
Tem flechas...
Que miram o infinito...
O infinito parece ter ponteiros...
Porém destinados a espiral...
O tempo é um arqueiro,
O infinito um relógio.
Onde nada parece voltar a ser como era...
Porém, tudo parece um pouco ser a mesma coisa...

São Gonçalo, 10 de julho de 2012.

terça-feira, 3 de julho de 2012


Para onde?

Loucura...
Postura...
Diante do século XXI
Em um sistema cada vez mais opressor
O homem que não acompanha
O movimento contemporâneo
Se perde as margens da cidade
O homem marginal...
Cidades onde seu ritmo frenético faz o homem seguir e sumir...
Sumir dentro dele mesmo...
A própria manifestação do recalque!
Alienante alivia a dor,
Extasiante guarda um odor...
Odor de horror...
Imagem de luz e sombra,
Mas não parece muito artístico,
Verdade até que os artistas se calaram.
Muito menos místico,
Verdade até que os profetas se calaram.
Diante do mundo moderno
Os loucos perambulam pelas margens da cidade,
Os patológicos permeiam a elite da pirâmide,
E os sãos?
Pirâmide que deixou de ser medieval para ser contemporânea.
Bocas se calaram...
Olhos se cegaram...
Hoje eu vi um homem fazendo uma ligação para sua mãe.
Deveria ter por volta dos seus 50 anos de idade...
Talvez menos, não sei, o peso dos dias e das noites na rua faz endurecer os traços...
Enfim...
Ligando para sua mãe... Em um telefone com fio,
Porém depositado na lata de lixo
Da esquina de um ponto de ônibus.
Ele dizia:
“Oi mãe, sou eu! Eu já vou...”.
Para onde este homem vai?
Talvez continuar a perambular as ruas...
E nós?
Para onde vamos?
Talvez...

São Gonçalo, 03 de julho de 2012.

domingo, 1 de julho de 2012

Pulsões


A pulsão da vida,

Assim como Eros traz o amor,

Tanatos traz a dor...

Hipnos vem nos inebriar...



Assim, em um ciclo que é a vida,

Nestas linhas venho a relatar.



Existe o início,

A estrada a ser percorrida

O fim que cessa a origem.

Porém... Distante ainda.



A ironia nos arrebata,

A ignorância nos cega,

O ego nos trai,

A dor nos educa

O amor enobrece

O tempo não para

E algo acontece!





O que era,

Não é mais.

E o que virá?

Um julgo de paz?

Ou o tormento eterno?

A vida tem esses mistérios,

Penso que não há respostas

A tantas perguntas,

Simplesmente a humanidade segue,







Rechaçada em meio as suas lutas.

Um ciclo vicioso,

Onde há permutas,

Labutas





Mas de certo que a pulsão vem de Eros

E também de Tanatos,

Num sabor quase inato

Meio que insensato

Neste ciclo que chamamos de vida e de morte

Em uma dança eterna de deuses e humanos,

Que julgamos a nossa própria sorte.


São Gonçalo, 03 de agosto de 2010, Beatriz Peixoto

Marionete




Somos seres pensantes...
Seres errantes...
Seres que são conduzidos,
Um pelos outros,
Impulsionados pela necessidade,
Pelo desejo mal entendido...
Nebuloso,
Do inconsciente para o limbo dos pensamentos aprendidos,
De onde?
Do outro que contem o poder,
Poder que redimensiona o mundo...
Um palco de marionetes...
Fragmenta saberes...
Onde está seu movimento?
Onde se formam as suas escolhas?
O que lhe conduz?
Quem lhe move?
Como reagem às cordas?
E de onde elas veem?
As cordas que manipulam seus atos...
Seu desejo...
O ser é um corpo,
O ser é uma mente,
O ser é o que é no seu tempo...
O ser contemporâneo é um boneco?
As suas cordas te movem ou você as move?