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terça-feira, 3 de julho de 2012


Para onde?

Loucura...
Postura...
Diante do século XXI
Em um sistema cada vez mais opressor
O homem que não acompanha
O movimento contemporâneo
Se perde as margens da cidade
O homem marginal...
Cidades onde seu ritmo frenético faz o homem seguir e sumir...
Sumir dentro dele mesmo...
A própria manifestação do recalque!
Alienante alivia a dor,
Extasiante guarda um odor...
Odor de horror...
Imagem de luz e sombra,
Mas não parece muito artístico,
Verdade até que os artistas se calaram.
Muito menos místico,
Verdade até que os profetas se calaram.
Diante do mundo moderno
Os loucos perambulam pelas margens da cidade,
Os patológicos permeiam a elite da pirâmide,
E os sãos?
Pirâmide que deixou de ser medieval para ser contemporânea.
Bocas se calaram...
Olhos se cegaram...
Hoje eu vi um homem fazendo uma ligação para sua mãe.
Deveria ter por volta dos seus 50 anos de idade...
Talvez menos, não sei, o peso dos dias e das noites na rua faz endurecer os traços...
Enfim...
Ligando para sua mãe... Em um telefone com fio,
Porém depositado na lata de lixo
Da esquina de um ponto de ônibus.
Ele dizia:
“Oi mãe, sou eu! Eu já vou...”.
Para onde este homem vai?
Talvez continuar a perambular as ruas...
E nós?
Para onde vamos?
Talvez...

São Gonçalo, 03 de julho de 2012.

Um comentário:

  1. A magia de se apropriar do "só" para escrever é contagiante nessa poesia. E ainda, o olhar sensível de ver o "só" contempla uma grande escritora!!!

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