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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Passos fora do Contexto



Passos fora do contexto
Ao menos o contexto da rua...
Olhos fixos em outra realidade.
Nos pés, o All Star...
No corpo um Vestido na cor vermelho,
Nas costas uma mochila...
Com tema infantil, daquelas bem pequenas,
De quem cursa o 2º período ou maternal...
Caminhando na calçada...
Em passos curtos, como quem vai recuar,
Encosta no muro e da mochila retira uma boneca de pano pequena,
Tão pequena quanto sua minúscula mochila.
Retira outro objeto que não me recordo...
E por fim um isqueiro e um cigarro.
Aquele homem adulto,
Desconectado daquela rua...
Do contexto da realidade que ia para além dele...
Ou seria ele que ia para além daquela realidade?
Deixava dar curso aos passos que se seguiam...
Ao qual me pareceu avessa a toda regra de conduta,
Avessa a moral e os bons costumes,
Avessa a uma verdade absoluta,
Avessa à sanidade da normalidade...
Enfim,
Aquele homem na rua de vestido vermelho e de mochila infantil,
Era como um alienígena da modernidade.
No planeta em que todos não se esforçam para entender,
Nem questionar,
Muito menos, se quer, olhar!
Para este homem que decide fumar na esquina da rua
Com a companhia da sua boneca de pano,
E de sua realidade paralela à dos demais passantes.
Este mundo que constrói anomalias
E que as deixa a revelia...
Onde o real é assustador,
Dentro ou fora do contexto!

Crônica, Peixoto, Beatriz.
São Gonçalo, 15 de novembro de 2012.



segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Face Oculta e Tempo Marcado



Face cortada ao meio
No alto da cabeça um orifício... Que aberto, deixa vago os pensamentos.
Viver e morrer se confundem...
Num emaranhado de saberes e emoções que cortam o momento.
O momento instante,
Que sendo único, gera a sensação...
Uma ideia...
O prisioneiro se torna prisão,
Em si, por si e pelo outro!
A trama se desenrola pela vida que segue...
E que de nada se compadece.
Trazendo somente escolhas e duvidas...
Além de impor o tempo que não espera,
E que ainda fala que não há mais tempo!
Onde negocia um tempo marcado,
Contando os minutos para sua redenção...
Na respiração só há uma certeza,
A de que a face oculta pelas metades, ainda existe...
Mas até quando?


São Gonçalo, 11 de novembro de 2012.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

REFLEXO



Cansada
Corpo pesado...
Pensamento desacelerando...
Movimentos lentos
Para dentro...
Busco o meu Reflexo,
Onde estais?
Me perdi
E me procuro...
Não encontro lá fora,
E dentro está escuro...
Sentir e agir é quase uma só coisa!
Por detrás dos atos sempre há uma emoção,
E dela me perco da razão.
Onde estais?
Onde estais identidade perdida?
Onde estais alma querida?
Me procuro pra não mais me encontrar,
Me procuro para sempre me transformar...
De fora para dentro
E de dentro para fora,
O cansaço vai embora,
Nesse ritmo que acelera
E que traz de volta a vontade,
A pulsão de vida
Que estanca a pulsão de morte,
Assim num fluxo,
Num vai e vem que demora...
É chegada a hora,
De ver meu reflexo,
De laçar o meu destino,
E seguir pra não mais voltar...

São Gonçalo, 8 de novembro de 2012.