Não tenho pretensão de ser poeta.
Pinto telas
E me expresso nelas...
Sorvi saberes
No vai e vem dos encontros da vida...
Pensei em ser mais do que pensava poder ser
Ousando buscar quimeras
Porém...
Ao invés de me lançar a luz,
Dei conta de laçar as ondas do meu desejo
Como quem laça o gado
E o tem sob o controle,
Mas para que?
E quem controla os seus desejos?
Pretensão de contê-los...
Na pintura sigo com uma voz muda...
Que diz de forma delicada, mesmo que aos berros!
Preferi as cores opacas e obscuras
Tom de ocre, sépia, marrom e o amarelo,
Que caem sob o branco e formam figuras...
Elas me dizem algo
Algo a meu respeito...
De vez ou outra, arrisco uma letra, um conjunto de frases...
Mas...
Não tenho pretensão de ser poeta...
Hoje experimento
Pintar diferente
Escrever diferente...
Sentir diferente...
Pintar é uma arte!
Escrever é uma arte!
Ousar é um sentir com arte!
Mas daí a...
Não... Não...
Não tenho pretensão de ser poeta
Prefiro a forma da figura
Dar vazão ao inconsciente através de imagens
As quais ainda podem permanecer ocultas de sentido
Interpretações múltiplas...
Expurgo o simbólico para olhos que não me veem...
E o verbo?
O verbo denuncia
A palavra reverbera no espaço
Porém dando sentido ao que tem por dentro de si
Por mais que se escamoteie, a palavra diz de forma resoluta!
Não há como escapar do verbo!
Não sei se quero me expor tanto...
Já me bastam as figuras...
Por tanto...
E por ora...
Não tenho a pretensão de ser poeta.
São Gonçalo, 11 de
agosto de 2012.

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